Quando falamos em gestão de pessoas, muitas vezes pensamos em cargos, horários, metas, avaliações e resultados. Esses elementos são importantes, mas não explicam toda a complexidade das relações humanas.
Na Educriar, educadores, jovens, parceiros e comunidade participam de uma construção coletiva. Cada pessoa traz sua história, seus conhecimentos, seus desejos e sua maneira própria de contribuir.
Por isso, chegamos a uma definição que representa melhor aquilo que fazemos:
Gestão de Pessoas na Educriar é cuidar e sustentar os encontros entre pessoas, projetos e comunidade, criando condições para que cada participante desenvolva sua potência, exerça seu protagonismo e contribua para a construção de novos caminhos, com liberdade e responsabilidade.
Essa definição não significa ausência de organização, cobrança ou compromisso. Pelo contrário: os projetos da Educriar possuem objetivos, tarefas, prazos, responsabilidades e acompanhamento. A autonomia não significa fazer qualquer coisa, de qualquer maneira. Significa participar das escolhas e compreender a responsabilidade envolvida em cada decisão.
Podemos dizer que a Educriar procura equilibrar dois movimentos. O primeiro é o da liberdade, da criatividade, da escuta e do inesperado. O segundo é o da organização, dos combinados, dos cronogramas e das entregas necessárias para que as ideias se transformem em ações.
Na filosofia de Deleuze e Guattari, esses movimentos podem ser relacionados às ideias de espaço liso e espaço estriado. O espaço liso representa aquilo que é aberto, criativo e imprevisível. O espaço estriado representa as estruturas que organizam os caminhos.
Na prática, um espaço não elimina o outro. A liberdade precisa de organização para se transformar em realização. E a organização precisa permanecer aberta à criatividade para não se tornar rígida, autoritária ou distante das pessoas.
Essa relação também responde a uma questão importante: a Educriar prepara os jovens para a vida profissional e para o mercado de trabalho?
Sim, mas não para que simplesmente se submetam a qualquer modelo de empresa.
A Educriar prepara jovens para pensar, comunicar-se, trabalhar em equipe, cumprir responsabilidades, receber orientações, lidar com conflitos, resolver problemas e desenvolver iniciativa. Essas competências são importantes tanto para o mercado de trabalho quanto para a vida em sociedade.
Entretanto, preparar não é o mesmo que exigir uma adaptação passiva. O jovem não precisa abandonar sua criatividade, sua capacidade crítica ou sua dignidade para se tornar um bom profissional. O objetivo é que ele consiga atuar em diferentes ambientes, compreendendo suas regras, cumprindo suas responsabilidades e também reconhecendo quando determinadas práticas são injustas, ultrapassadas ou prejudiciais.
Por isso, a Educriar não é organizada para satisfazer todas as vontades dos jovens. Acolher não significa deixar de orientar. Escutar não significa concordar com tudo. Dar autonomia não significa retirar a responsabilidade.
Também não é objetivo da Educriar satisfazer simplesmente as expectativas do empresariado. Uma empresa precisa de resultados, e isso é legítimo. Porém, resultados sustentáveis dependem de pessoas capazes de aprender, colaborar, criar, adaptar-se e assumir responsabilidades.
A própria gestão estratégica de pessoas reconhece que não basta cobrar metas. É necessário desenvolver competências, fortalecer a cultura organizacional, oferecer feedback, reconhecer avanços e criar condições para que as pessoas realizem um bom trabalho. Uma equipe pode apresentar resultados durante algum tempo sob pressão e medo, mas isso não significa que exista uma cultura saudável ou sustentável.
Assim, a Educriar não forma jovens para obedecer mecanicamente, nem para agir sem limites. Forma jovens para pensar, criar e entregar com responsabilidade.
Esse processo está presente nos cinco pilares da Educriar:
👉 Protagonismo, porque o jovem participa da construção dos projetos;
👉 Liderança, porque liderar também significa servir, mediar e fortalecer outras pessoas;
👉 Comunicação, porque não existe encontro sem escuta e expressão;
👉 Pensamento crítico, porque é preciso compreender a realidade para transformá-la;
👉 Proatividade, porque criar caminhos exige iniciativa e disposição para agir.
Na Educriar, as pessoas não são tratadas apenas como recursos a serem utilizados. São reconhecidas como participantes de uma construção, mas essa participação envolve compromisso, desenvolvimento e responsabilidade com o coletivo.
Cada educador, cada jovem e cada parceiro modifica o projeto ao mesmo tempo em que também é transformado por ele. É dessa relação que surgem encontros capazes de produzir algo novo.
Cuidar das pessoas, para a Educriar, é cuidar dos vínculos, das possibilidades e dos caminhos que podem nascer quando alguém encontra espaço para ser ouvido, criar, participar e também ser responsabilizado por aquilo que faz.
"Porque educar também é criar outros caminhos possíveis para existência."
Bóris Ximendes Bonfanti, Mestre em Ensino e Presidente da Educriar
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