No projeto Conectando Histórias, não apenas registramos falas; analisamos transformações. Recentemente, revisitamos o depoimento da Maria Eduarda, gravado após o Módulo 1 de Comunicação e Relações Sociais em maio de 2025. Sua frase: "Estou me sentindo mais livre para falar", não é apenas um elogio ao curso, mas o resultado visível de uma trama de potências interligadas que compõem a Pedagogia da Educriar.
A Comunicação como Conexão: Muito além do falar
Para nós, a comunicação não é uma técnica de oratória, mas uma ferramenta de agenciamento. Baseados na teoria de Deleuze e Spinoza, entendemos que a comunicação só acontece quando há conexão. Para que a Maria Eduarda se sentisse "livre", trabalhamos o nosso Tripé Operacional da Conexão:
- VONTADE (O Conatus Spinozano): O impulso mútuo de afetar e ser afetado. Maria Eduarda não apenas "aprendeu a falar", ela despertou a vontade de se conectar com o outro, permitindo que sua voz ocupasse o espaço.
- ACUIDADE: Uma leitura sensível dos afetos. Desenvolvemos a inteligência interpessoal para que o jovem leia o ambiente e sinta que sua fala tem valor e ressonância.
- PERFORMANCE: A expressão corporal autêntica. Através da cinesfera, o corpo deixa de ser uma prisão de "vergonha" e passa a ser o veículo da própria liberdade.
Os 5 Pilares em Movimento
A mudança da Maria Eduarda é o exemplo prático de como nossos pilares se alimentam:
- Protagonismo: Ela se tornou autora da sua trajetória ao assumir o risco da criação e se apropriar da sua voz.
- Liderança (Agenciamento): Ao lidar melhor com a vergonha, ela passa a ter o poder de inspirar e conectar-se com os talentos dos outros, criando pontes entre singularidades.
- Comunicação e Empatia: É a ponte que permitiu a ela expressar ideias sem medo do julgamento, encontrando a multiplicidade em si e no grupo.
- Pensamento Crítico: A liberdade de falar vem da capacidade de analisar situações complexas e tomar decisões informadas, sem se deixar paralisar pela intuição do medo.
- Proatividade e Cidadania: A fala "livre" é o motor da ação social. Um jovem que fala com clareza é um cidadão que age, se envolve e busca soluções para o seu entorno.
Conclusão: Educar é Criar Outros Caminhos
Sem o tripé da conexão (Vontade, Acuidade e Performance), a multiplicidade do jovem fica muda. Com ele, as pontes pulsam. O caso da Maria Eduarda nos mostra que, quando oferecemos o território correto, o jovem não apenas "faz o curso", ele expande sua potência de agir.
Na Educriar, seguimos acreditando que a comunicação é a linha que costura o protagonismo à cidadania. Porque educar também é criar outros caminhos possíveis para a existência.
Bóris Ximendes Bonfanti, Mestre em Ensino e Presidente da Educriar
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