Na Educriar, quando falamos em empatia, não estamos falando de um sentimento passivo ou de "se colocar no lugar do outro" como se fôssemos iguais. Inspirados pela Filosofia da Diferença de Gilles Deleuze e pela Ética dos Afetos de Baruch Spinoza, entendemos a empatia como uma ferramenta de conexão ativa.
O que Spinoza nos ensina: Afetar e ser Afetado
Para Spinoza, não somos seres isolados, mas corpos em constante relação. A empatia é o que ele chama de Conatus em ação: o esforço para aumentar nossa potência de agir através dos encontros.
- Encontros Alegres: São aqueles que somam. Quando nos conectamos com a história de um jovem ou de um ancião, nossas potências se combinam. A empatia, aqui, é a busca por composições que nos tornem mais fortes e sábios juntos.
- Afeto como Transformação: Empatia não é apenas entender o outro, é permitir-se ser transformado pelo encontro. É o desejo mútuo de afetar positivamente e ser afetado pela singularidade alheia.
O que Deleuze nos ensina: A Multiplicidade e o Espaço Liso
Deleuze nos convida a olhar para a Diferença como algo positivo, e não como uma falta.
- Ouvir a Multiplicidade: Em vez de tentar encaixar o jovem em um modelo "estriado" (rígido e pré-definido), a empatia deleuziana nos permite navegar no "espaço liso". É onde as verdades absolutas caem e damos lugar à escuta real da singularidade de cada um.
- Construir Pontes, não Espelhos: A empatia não busca o igual (o espelho), mas sim a conexão entre o que é diferente. É entender que a beleza da Educriar está justamente na multiplicidade de vozes que, ao se conectarem, criam algo inteiramente novo.
A Empatia na Prática Educriar
No nosso dia a dia, essa filosofia se manifesta no nosso Tripé Operacional da Conexão:
- Vontade (Conatus): O impulso de sair de si para encontrar o outro.
- Acuidade: A sensibilidade para ler os afetos e entender o que o encontro está produzindo.
- Performance: A coragem de se expressar de forma autêntica, permitindo que a ponte entre as histórias pulse com vida.
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