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terça-feira

Juventudes: Potência que Habita Estruturas

 


Na Educriar, quando falamos de juventudes, não estamos falando de uma “fase de transição” que precisa ser consertada até virar adulto. Falamos de corpos potentes, que já sentem, pensam, criam e transformam o mundo hoje. Juventude, para nós, não é rascunho: é existência em ato. Trabalhamos com uma ontologia da potência, não da falta, em vez de focar no “falta maturidade, falta experiência”, olhamos para as forças que podem ser ampliadas, conectadas e afirmadas em cada jovem.

Ao mesmo tempo, não romantizamos um “jovem livre no vazio”. Essa potência está atravessada por estruturas muito concretas: escola, família, trabalho, religião, políticas públicas, a própria cidade. É aí que usamos nossa metáfora do liso e do estriado: o liso são os modos singulares como cada jovem deseja, sente e inventa sua vida; o estriado são as regras, programas, metas, burocracias e modelos de “jovem ideal” que tentam enquadrar essa existência. Nosso trabalho é justamente criar espaços onde o jovem possa se ver como coautor da realidade, inclusive da própria Educriar, disputando o sentido dessas estruturas, e não apenas se adaptando a elas.

No CDPP (Curso de Desenvolvimento Pessoal e Profissional), por exemplo, essa visão aparece com força. Há um lado estriado claro: módulos organizados, cronograma, combinados, responsabilidades. Mas essa estrutura existe para sustentar o liso: rodas de conversa, projetos autorais, questionamento crítico, possibilidade real de o grupo opinar, reformular atividades e produzir caminhos novos. Nas assessorias juvenis, fazemos o mesmo movimento: ajudamos cada jovem a ler os estriados que o atravessam (escola, trabalho, família, cidade) e a inventar formas mais potentes de existir dentro e contra essas amarras.

É assim que entendemos juventudes na Educriar: nem apenas “liberdade criativa”, nem apenas “adequação às regras”, mas uma potência em devir que habita, enfrenta e transforma estruturas. Educação, para nós, é isso: abrir caminhos para que cada jovem possa existir com mais voz, mais crítica e mais mundo possível.

Bóris Ximendes Bonfanti, Mestre em Ensino e Presidente da Educriar

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