Falar de juventude no singular é sempre uma redução. Em Bagé, convivem muitas juventudes: das escolas públicas e privadas, do centro e dos bairros, das diferentes religiões, cores de pele, gêneros, expressões e histórias familiares. Sensibilidade social é justamente a capacidade de perceber essas diferenças, levar a sério as realidades concretas e agir com respeito e responsabilidade diante delas.
Na Educriar, não trabalhamos com uma imagem abstrata de “o jovem”. Nossos projetos, do Panorama Jovem ao Trilhas, passando pelo Fique por Dentro: mostram, todos os dias, que cada grupo traz desafios e potências específicos. No CDPP, essa sensibilidade social aparece com força quando discutimos juventudes e diferenças sociais, quando escutamos relatos de quem já trabalha cedo, de quem cuida de irmãos, de quem vive discriminação por raça, gênero ou corpo.
Sensibilidade social não é olhar o jovem com pena, mas com rigor e empatia. É reconhecer que as condições materiais e simbólicas não são iguais para todos e, ao mesmo tempo, afirmar que cada singularidade é potência de criação. No Eixo de Comunicação, Relações e Autoconhecimento do CDPP, por exemplo, discutimos preconceitos, escuta ativa e convivência com o diferente, sempre conectando teoria com aquilo que os participantes vivem em casa, na escola e nas redes.
Essa mesma postura orienta o Eixo de Mercado de Trabalho: não basta ensinar a fazer currículo se não olharmos para as barreiras que muitos encontram para acessar oportunidades. Sensibilidade social, aqui, é abrir espaço para que essas barreiras sejam nomeadas, debatidas e enfrentadas coletivamente, sem naturalizar injustiças.
Ao articular sensibilidade social com nossos cinco pilares: Protagonismo, Liderança como Agenciamento, Comunicação com Empatia, Proatividade e Pensamento Crítico, o CDPP se torna mais do que um curso: torna-se um espaço em que jovens podem se reconhecer, reconhecer o outro e construir modos mais justos de viver juntos. É assim que vamos tecendo, encontro após encontro, uma Bagé onde as diferenças juvenis não sejam motivo de exclusão, mas fonte de aprendizado e transformação.
Bóris Ximendes Bonfanti, Mestre em Ensino e Presidente da Educriar
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