sexta-feira

Inteligência Emocional: o alicerce invisível do CDPP

 



Muitas vezes, quando se fala em futuro dos jovens, o foco vai direto para notas, cursos, currículo ou emprego. Mas, na Educriar, aprendemos com a prática que existe um alicerce invisível que sustenta tudo isso: a inteligência emocional. Ela não é “controle frio das emoções”, mas a capacidade de reconhecer, nomear, compreender e cuidar do que sentimos, sem nos afogar nem nos anestesiar.
No Curso de Desenvolvimento Pessoal e Profissional (CDPP), trabalhamos a inteligência emocional de forma intensa no Eixo de Comunicação, Relações e Autoconhecimento. É ali que abrimos espaço para que cada jovem de Bagé possa se perguntar: o que eu sinto? o que isso diz sobre minhas necessidades? como posso me comunicar sem explodir nem engolir tudo? Em rodas, dinâmicas e reflexões, vamos traduzindo conceitos em experiências vividas.
Quando um jovem entende que raiva pode ser sinal de limite ultrapassado, que tristeza pode ser um pedido de pausa, que ansiedade muitas vezes nasce do excesso de exigência interna, ele começa a reorganizar o próprio mundo. Essa reorganização interna tem efeitos diretos nas relações, no estudo e até no modo como ele enxerga o trabalho e o próprio futuro. Inteligência emocional, nesse sentido, é ferramenta de protagonismo: permite que o jovem deixe de ser levado pelas circunstâncias e passe a fazer escolhas mais conscientes.
Na perspectiva do liso e do estriado que orienta a Educriar, a inteligência emocional é o lugar onde a vida pulsante das emoções (liso) encontra estratégias concretas de cuidado (estriado): técnicas de respiração, formas de pedir ajuda, combinados de convivência, acordos de grupo. Não se trata de “domar” o jovem, mas de oferecer recursos para que ele possa morar melhor dentro de si.
Por isso, quando dizemos que o CDPP prepara para o mercado de trabalho e para a vida, estamos dizendo também que ele cuida da base emocional de cada participante. Não há projeto de vida sólido construído sobre um terreno interno que ninguém ajuda a olhar. Investir em inteligência emocional é investir na potência de agir dos jovens de Bagé, hoje e nos próximos anos.

Bóris Ximendes Bonfanti, Mestre em Ensino e Presidente da Educriar

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